 |
Professor
Paulo Gelatti
- Especialista internacional em treinamento funcional
- Palestrante da equipe cientifica editora phorte.
- Colunista da revista Muscle Inform e BBNews Probiótica.
- www.functionalevolution.com.br
|
Historia
da Hipertrofia
Na
Grécia antiga conta à história que havia um
super-humano chamado Milon, esse notável ser treinava com
um bezerro nas costas a fim de aumentar a força dos membros
inferiores, e quanto mais pesado o bezerro ficava, mais sua força
aumentava. Os relatos mostram que Milon foi um dos primeiros a se
preocupar com a suplementação alimentar e que ele
comia por dia 9 kg de carne, 9 kg de pão e 10 litros de vinho
- gerando um total de 57 mil kcal. Ele também era capaz de
matar um boi com as mãos e comê-lo sozinho. O nome
da cidade de Milão é em sua homenagem. Diz a lenda
que morreu devorado por lobos, pois ficou preso ao dar um golpe
em uma árvore.
O que Milon fazia inconscientemente era um príncipio que
utilizamos até hoje o príncipio da sobrecarga que
nos fornece a tão sonhada hipertrofia, o interessante é
que ele não tinha os equipamentos que temos hoje e mesmo
assim ele conseguiu alcançar seu objetivo foi consagrado
melhor lutador grego da antiguidade, vencendo seis olimpíadas
e conquistando trinta e dois campeonatos nacionais.
Pensando por um novo prisma o que Milon fazia era treinar o movimento
e não somente seus músculos com esse tipo de treinamento
Milon conseguia trabalhar toda sua cadeia cinética em harmonia
facilitando seus engramas neurais para manutenção
da sua força e aumento tanto de força como de massa
muscular.
Podemos
chamar esse tipo de técnica de hipertrofia funcional?
O treinamento funcional é um treinamento inteligente que
ensina nosso corpo através de engramas neurais a gerir nossos
movimentos, ou seja, o objetivo é tornar o músculo
mais sábio e eficaz com isso teremos economia de movimento
pois saberemos utilizar os músculo certos na hora certa,
em um movimento básico da musculação o supino,
muitos adeptos fazem força nos músculo indevidos utilizam
os ombros e tríceps em um suporte ambíguo para subir
a barra e o músculo que devia ser alvo é deixado de
lado pois o peitoral não terá eficiência muscular
e esse praticante terá hipertrofia e assimetria nos braços.
Muitas máquinas de musculação podem causar
assimetria, pois depende do lado que estiver as polia pode forçar
mais um lado do que o outro e isso seria um desastre nos palcos,
portanto devemos elaborar nossas rotinas de forma inteligente pensando
em tudo até mesmo na biomecânica da maquina suas polias
ação da gravidade pois nosso esporte é uma
ciência que está se tornando cada vez mais exata.
Os atletas profissionais com o tempo de treinamento atingem um platô
e não conseguem mais romper a homeostase e seus corpos não
desenvolvem mais porque seus músculos já sabem com
eficiência como erguer as cargas nos movimentos de musculação
aos quais foram treinados por anos a fim.
Esses
músculos precisam de um estimulo novo que solicite muito
mais dele e que eles tenham que se adaptar para suportar esse novo
estresse e o que o correra é que para que isso aconteça
os músculos terão que ficar maiores e mais fortes,
portanto romperemos esse platô e conseqüência disso
hipertrofia em dobro e para o nosso atleta isso significa vitórias
uma atrás da outra.
Esse estimulo é possível ser atingido através
da técnica que criei chamada hipertrofia funcional, em um
estudo de eletromiografia foi comparado a solicitação
muscular em instabilidade e em estabilidade o movimento que foi
utilizado foi a flexão de braços com as mãos
na bola e o supino convencional, foi feito testes de eletromiografia
nos músculos peitoral maior e tríceps, a amostra foi
de 20 universitários com o mesmo nível de treinamento,
a conclusão do estudo foi muito interessante e nos faz refletir,
em ambos os grupos o peitoral teve a mesma solicitação
muscular porém no supino teve que ser acrescentado carga,
mas a solicitação do tríceps foi muito maior
no push up flexão de braços com as mãos na
bola.

(Gregory J Lehman*1, Brandon MacMillan2, Ian MacIntyre1, Michael
Chivers1 and Mark Fluter2: Shoulder muscle EMG activity during push
up variations on and off a Swiss ball. Dynamic Medicine 2006, 5:7
doi:10.1186/1476-5918-5-7.)
Biomecanicamente
o peitoral realiza adução e abdução
horizontal e o tríceps realiza a extensão dos cotovelos
isso nos leva a crer que ambos os exercícios citados acima
tem a maior solicitação muscular de tríceps
o estudo provou que no supino precisa acrescer carga para ter a
mesma solicitação muscular que o push up mãos
na bola sem acréscimo de carga.
Nosso objetivo não é profanar a musculação,
mas sim dizer que os atletas podem se beneficiar da hipertrofia
funcional combinando de forma inteligente exercícios para
um maior resultado.
Em pré contest nossos atletas tem pouco glicogênio
muscular e pouca força por tanto não conseguem suportar
enormes cargas, seria interessante nessa fase acrescentar movimentos
que dê a mesma solicitação muscular que eles
conseguiam em estabilidade, mas quando eles estavam fortes e com
muito mais glicogênio e energia só que com menos carga.
Vale lembrar que vamos nos validar da biomecânica para nos
auxiliar na montagem dos programas de treinamento, pois um supino
tem maiores solicitação de tríceps, e um crucifixo
maiores solicitação de peitorais se o objetivo é
o peitoral deve se fazer sua cinética ou seja adução
e abdução horizontal.
Para colocarmos a instabilidade de forma correta sem invenção
e atos circenses devemos nos preocupar com o motor primário
ao qual queremos atingir.
Exemplo: se colocarmos um push up para enfatizarmos o peitoral estaremos
dando um tiro no pé pois o mesmo tem como motor primário
o tríceps e assim acontece com o supino.
Podemos começar um crucifixo no banco reto até fadiga
imediatamente após esse momento nós tiramos as cargas
dos músculos colocando na mesma cinética um crucifixo
com os cotovelos apoiados na bola o atleta continuará a ter
intensidade, porém com menos carga, essa metodologia no treinamento
funcional se chama descarregamento.
O objetivo não é criticarmos a musculação,
mas sim termos mais ferramentas de trabalho para conseguirmos colocar
nos palcos corpos perfeitos, simétricos impressionantes ao
olhar da população e aumentar a performance de nossos
atletas e formarmos verdadeiros vencedores.
Referencias Bibliográficas:
1. Ashton-Miller J, Wojtys E, Huston L, Fry-Welch D: Can proprioception
really be improved by exercises? Surgery and Sports
Traumatology and Arthroscopy 2001, 9(3):128-36.
2. Sheth P, Yu B, Laskowski E: Ankle disk training
influences reaction
times of selected muscles in a simulated ankle sprain.
American Journal of Sports Medicine 1997, 25(4):538-43.
3. Verhagen E, Van der Beek A, Twisk J, Bouter
L, Bahr R, Van Mechelen
W: The effect of a proprioceptive balance board training program
for the prevention of ankle sprains: a prospective controlled
trial. American Journal of Sports Medicine 2004,
32(6):1385-93.
4. Naughton K, Adams L, Maher H: Upper-body wobbleboard
Training effects on the post-dislocation shoulder. Physical
Therapy in Sport 2005:31-37.
5. Vera-Garcia FJ, Grenier SG, McGill SM: Abdominal
muscle
response during curl-ups on both stable and labile surfaces.
Physical Therapy 2000, 80(6):564-9.
6. Behm D, Leonard A, Young W, Bonsey W, MacKinnon
S: Trunk
muscle electromyographic activity with unstable and unilateral
exercises. Journal of Strength and Conditioning Research 2005,
19(1):193-201.
7. Behm DG, Anderson K, Curnew RS: Muscle force
and activation
under stable and unstable conditions. J Strength Cond Res 2002,
16(3):416-22.
8. Lehman GJ, Gordon T, Langley J, Pemrose P, Tregaskis
S: Replacing
a Swiss ball for an exercise bench causes variable changes in
trunk muscle activity during upper limb strength exercises.
Dyn Med 4:6. 2005: Jun 3
9. Marshall PW, Murphy BA: Core stability exercises
on and off a
Swiss ball. Arch Phys Med Rehabil 2005, 86(2):242-9.
10. Lehman GJ, Hoda W, Oliver S: Trunk muscle activity
during
bridging exercises on and off a Swiss ball. Chiropr Osteopat
13:14. 2005; Jul 30
11. Anderson K, Behm D: Maintenance of EMG activity
and loss of
force output with instability. Journal of Strength and Conditioning
Research 2001, 18(3):637-640.
12. Gregory J Lehman*1, Brandon MacMillan2, Ian MacIntyre1, Michael
Chivers1
and Mark Fluter2: Shoulder muscle EMG activity during push up variations
on and off
a Swiss ball. Dynamic Medicine 2006, 5:7 doi:10.1186/1476-5918-5-7.
|